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Mostrando postagens de setembro, 2022

O puxa-saco

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             Não sei se é possível ter uma imagem clara do que acontece em um país ou local, mas uma coisa é certa: pela contagem dos fatos, vivemos algo nos anos em torno de 2012-2017, e agora vivemos outra coisa. Foi na nossa cidade que aconteceu a revolta do passe-livre, a queima de ônibus de uso público em setembro de 2012, evento que antecedeu os grandes protestos a nível nacional no ano seguinte. Protestos, por sua vez, que se prolongaram no tempo e abriram espaço para novos políticos. Foi em outubro de 2016 que tivemos várias universidades e escolas ocupadas[1], de um lado, e, localmente, ao mesmo tempo, o grupo que tentou limpar as pichações da universidade[2], de outro. A ocupação chegou a ter eco em 2019 [3], mas as limpezas, não. Ainda assim, suspeito que houve algo como uma mudança de ânimos: não sei se por força da política nacional, não sei se por velhice dos envolvidos (e a velhice leva à necessidade maior de assunção de responsabilidade...

Uma dica Pessoal

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               Não é trabalho deste projeto compor crítica literária ou cultural sobre o que quer que seja, apesar de que, admito, adoraria tecer alguns comentários aqui e ali. Apesar disso, é necessário, por questões metodológicas, traçar uma imagem de uma obra em particular que será de apoio no processo. Em paralelo, explicar um pouco a metodologia adotada para o Crônicas do Campus. Para isso, será preciso contar com a ajuda do poeta Fernando Pessoa.             Primeiramente é preciso dizer por cima, como quem desenha um mapa inicial, o que é a literatura. Literatura é aquilo que não é a descrição imediata de fatos, mas sim assumidamente sua representação. Assim pode-se encaixar tanto a literatura que trabalha em cima de fatos reais, como a ficção fantástica, que pode ir aos mais extremos limites, sem contudo, deixar de ter a marca da humanidade pelo fato de ter sido pensada por humanos. ...

Mapeando o terreno

  Mapeando o terreno Algumas palavras prévias             Diz-se por aí que quem vive de memória é museu; outros diriam que seriam na verdade os depressivos, mas, por outro lado, quem vive sem memória alguma é uma pedra ou um pedaço de pau, e mesmo estes têm algum resquício de memória imbuído na sua forma de composição: eles passaram por mudanças, e estas os tornam mais propícios a passarem por certas circunstâncias e não outras, ainda que não sejam sencientes [1]. Fala-se hoje, por exemplo, do efeito borboleta, que implica exatamente na busca pelos indícios significativos no longo prazo - ou nos que geraram o estado atual. Assim, a questão é discernir entre olhar o passado para se aprisionar nele e captar o elo de significado que une futuro, passado e as possibilidades do presente.             Nada se constrói do nada. Seja lá como tenha sido originado o universo, a ...